O Brasil, a bunda e a hipocrisia.

Geisy, Geisy. A estudante que é o mais novo furduncio que abala as estruturas da família brasileira. Pros marcianos ou pro pessoal da caravana do Acre que não manja a história aqui vai: Geyse foi a faculdade, como faz todos os dias da semana. Mas, no dia 22 do mês passado, ela escolheu um vestidinho bem curtinho pra escancarar suas protuberantes e roliças coxas. Alguém falou alguma graça e ela, diva que é, levantou ainda mais o vestido, quase mostrando a bundona, e seguiu para seu desfile esfregando na cara do resto do campus toda sua redondância bundífera. Tava feita a merda, já tinham feito graça, ela resolveu responder da maneira dela, aí geral começou a pegar malzão e falar várias pra ela. Geyse precisou ser escoltada por policiais pra sair da faculdade de tanta gente gritando e berrando “PUTA!” na porta e nas janelas da sala que ela usava pra se defender. Imagino o que esses tenentes e capitães poderiam pensar enquanto caminhavam a ‘vítima’ coberta com um avental pra fora da faculdade. Na sequência, Geyse foi expulsa da faculdade, depois, convidada a permanecer. Estudantes protestaram contra e a favor em frente ao campus. Patifaria geral por causa da bundona.

Vou começar minha discussão comigo mesmo a respeito do fato com uma simples pergunta: COMO PODE MANO?


1. Como podem alunos universitários degradarem tanto a imagem de uma menina por causa da sua roupa?

Ela não estava pelada, suas partes íntimas não estavam a mostra, ela não estava cometendo um crime. Se ela fosse banida de uma igreja católica ou de uma reunião de negócios de uma grande companhia japonesa por conta daquele vestido, eu até entenderia. Mas nunca do lugar que, na teoria (bota teoria nisso), deve ser um lugar de pessoas com mente aberta, pessoas que estão reunidas pelo aprendizado e pelo contato com novos conhecimentos e opiniões. Firmeza, vou parar com o drama. Não na faculdade, pessoal. Vão se fuder, vocês que a obrigaram a sair escoltadas por policiais. Ninguém aí vai pra praia ficar olhando umas bundas? Ninguém vê a playboy no revistasgratis.ws? Ninguém vê o carnaval na Globo? Ninguém vê a Rede Globo em si? Vêem sim. Veêm e acham tá tudo bem, já que não são aquelas gostosas dançando de sainha que estamos olhando, é esse gordo que não deixa ninguém falar e nunca deixa as cacetadas rolarem tranquilo. Então, vão todos tomar no cu. De boa, é ridículo isso. Não é possível que não seja claro pra todo mundo que julgaram e crucificaram uma mina por fazer algo que fazem nas suas frentes todos os dias na televisão.

Alguém uma vez indagou que isso poderia ter acontecido por uma possível alta incidência de evangélicos na Uniban. Grande merda. Existe banda de axé de Deus com gostosas rebolando. Foi estilo o que o Talibã faz com as minas que tiram a máscara ou casam sem ser virgens. Todo mundo criticou o pessoal do Afeganistão na época da novela do oriente, chamaram muçulmanos de animais, de irracionais, e agora tão aí, falando que a mina é puta, achando absurdo ela estar mais vestida que suas mães e irmãs quando vão pra praia.

2. Como pode uma intuicão de ‘ensino superior’ expulsar uma aluna por esse motivo escroto?

Uma instituição que POSSUI a responsabilidade de desenvolver formadores de opinião, pessoas que levariam o Brasil a um futuro melhor, não pode agir dessa forma. Não pode expulsar uma aluna que estudou o que podia pra conseguir uma vaga por um diploma por causa da roupa que ela usa se essa não é contra a lei do país. Seria muito triste para todos os outros alunos que não tem nada a ver, mas essa ‘universidade’ deveria ser fechada junto com todas suas unidades por preconceito e discriminação. Como é que se diz na Constituição do Brasil, mesmo? “Todos somos iguais perante a lei… Temos os mesmos direitos e deveres…” Era algo assim né? EXPULSAR UMA ALUNA POR CONTA DE UMA VESTIMENTA OU UMA ATITUDE QUE PÔDE DENIGRIR SOMENTE A ELA É NAZISMO. Sumemo, nazismo. Digno de Mussolini, Pinochet, Adam Susan e palhaços dessa estirpe. Agora quantas pessoas que estudam na Uniban vão levar consigo, pro resto da vida, estampadona lá no seu diploma, a fama de ser formado por uma instuição preconceituosa e ridículamente conservadora? Muito bom, né, pro futuro dos seus alunos, Uniban? Muito bom mesmo. Daora.

AAH. É tanta hipocrisia que dá até coceira, mano.

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4 Comentários

  1. Pois é. Mas tb não podemos nos esquecer que, diante de uma situação atroz como essa (concorddo plenamente com a questão da hipocrisia), há o tão famoso discurso e, não menos hipocrita, sobre a defesa do “direito da liberdade sexual da mulher”. Acho bonito, poético e soa melhor que o da liga das senhoras católicas. Mas por favor: parcimônia! A tal Geyse, agora foco das atenções, vibra com um país tão liberal, que a defende com unhas, dentes e pensamento “prafrentex”. Acredito que a conquista de um pensamento respeitoso e contemporâneo não se dá salvaguardando uma pilantrinha digna de protagonizar o mais novo lançamento da Brasileirinhas. Ingenuidade pura.

  2. Concordo. Não escrevi, mas andei falando aqui que essa mina também não caiu de gaiato no navio. Ela provocou, ela teve uma “índole indesejada” por muitaq gente. Mas isso não é motivo pra qualquer reação que não seja um comentário ou uma exclusão de seu círculo de amigos, caso sinta-se ofendido. NUNCA deve ser motivo suficiente pra mobilizar tantos universitários pra fazer o que fizeram, muito menos pra uma instituição de ensino expulsar a gordinha.

    Nem eu, nem você queremos que mulheres e bundas enormes sejam o símbolo do nosso país pro mundo, mas queremos menos ainda que atitudes como essa, dos alunos e da faculdade, sejam nosso cartão postal.

    • Não estou condenando sua posição. Acho que a repercussão como ‘cartão postal’ deveria ter uma importancia inferior à questão em si. Imagino tb que há muita gente que sai em defesa de algo pautado num discurso bonito, mas se esquece de que podemos ser tao hipocritas quanto; assim como podemos nos aproveitar de uma situação para mostrarmos nossa nobre conduta. É estranho e contraditório: sair em defesa da mulher e sua expressao sexual, e em seguida referir-se ao pivô do frenesi como “gordinha”. Nao deixa de ser algo nazi-fascista. Não julgo. Assim como eu, vc e todo mundo, é um problema latente, arraigado na sociedade. Só acho que não é assim que se luta por uma coisa séria. Geyse é tao escrota quanto os “varões” imbecis que a hostilizaram. Liberdade não é libertinagem. Liberdade sexual não tem relação com minissaias: tem a ver com respeito, igualdade e oportunidade independendo do gênero.

  3. De acordo com a escrotisse de Geisy. Mas, acho que ainda assim, ela estava muito mais na dela. Por mais errada que ela possa estar, a única vítima do comportamento dela foi ela mesma. Diferentemente dos outros alunos e da reitoria da faculdade.

    Ela pode ter feito a escrotisse que fosse, mas não prejudicou ninguém. A faculdade e os alunos, por conta de seus conceitos e crenças e sei lá o que, cagaram com a mina. Fuderam o curso dela, fuderam a vida dela.

    Agora o que vem em seguida é a prova de fogo: Geisy vai seguir em frente e descolar outra faculdade ou vai posar nua e partir pra indústria pornô? Aí depois eu faço um post desabafando minha falta de fé na garota do vestido rosa. MESMO ASSIM, ela ainda só vai estar afetando sua própria reputação e de mais ninguém.


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