Paella nordestina gratinada

Livro de receitas do Procrastinagem #2

Fome. Larica, como minha mãe diz. Só isso para forçar a gente a sair da frente do computador, abandonar o tumblr por alguns instantes, por mais que isso custe ficar completamente desatualizado dos memes do momento.

Fomos ao supermercado mais próximo, mesmo não sendo o mais barato (a.k.a. mercado de boy). Quando chegamos a tal estabelecimento, de havaiana e de bermuda rasgada, como já diria nosso mano Karatê, não tínhamos a menor ideia do que nossos famintos estômagos provariam.

-Acho que sobrou carne de ontem. Se pá tem uma berinjela. Nem, to de boa de berinjela. Tem arroz lá, podemos fazer um risoto maroto. Demorô, chegou chatuba!

Depois de muitos minutos de risos infindáveis, fosse pelo saco plástico que insistia em virar chapéu na minha cabeça, ou pela atenção desviada para a conversa alheia, elegemos os personagens do banquete: Mandioquinha, Cenoura, Tomate, Pimentão, Lascas de queijo prato, e outros sabores. Em casa, a cebola, alho, condimentos, azeite e muzzarela em fatias grossas já nos esperavam ansiosos pela festa na cozinha.

FF>>

Em, casa, cortamos cebolas, alhos e tomates bem picadinhos, finas tiras de pimentão, cubinhos de cenoura e as rodelas de mandioquinha. Duas panelas refogam cebola e alho simultaneamente. Em uma*, tomates e pimentões caem na festa umedecidos pelo azeite barato. Na outra**, a cenoura e a mandioquinha entram na dança da refoga. Como semi-deuses da culinária, instantes antes de a cebola dourar na panela*, promovemos a cachoeira de arrrrrrrroz (3 copos americanos pra 4 niños hambrientos). Refoga de leve, água, sal e fogo médio. Na panela registrada como “a outra”**, água, sal, condimento preparado Coentro, Louro e Cominho, e fogo alto.

Agora dá uma misturada no arroz, assim, a alegria e a magia dos vegetais poderão colorir nosso risoto. Coloca um par de folhas de louro. Não podem ser duas folhas separadas, tem que ser as que estão juntas. Elas se amam e é isso que a gente quer numa refeição.

Quando o arroz estiver no ponto, a mandioquinha deverá estar desmanchando-se de sabor e sensualidade nos seus lábios carnudos. Separe o caldo nordestino que saiu da mandioquinha e sirva com fatias de pão como entrada.

Metade da nossa quase-paella se esparrama por uma travessa grande e é coberta por queijo muzzarella. Deita a outra metade de risoto sobre o queijo, que já derrete com o calor do arrrrrroz. On the top, homenageando e selando a produção, lascas de queijo prato e orégano.

Forno pré-aquecido no máximo, até que o queijo prato derreta e comece o processo de fusão com o orégano. E é isso mesmo, não sei a temperatura nem o tempo. Aqui é slowfood pride! Cozinha contemporânea com ciência decuérola. Escute seu coração, e chegada a hora, bate no peito e diz: “Tá pronto”. Vai estar.

Não conseguimos definir o vinho que melhor acompanharia tal prato, sem desmerecer o suco de tangerina de pózinho. Qual vocês acham?

Bon appétit,
Rafael Takano
Chef de Couisine

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