#stopsmoking2010 – Número quatro

Pra quem não viu Trainspotting, é um bom filme sobre a vida de jovens escoceses dos 90 que desgostam do estilo de vida de consumo e família imposto pela sociedade e entopem a cara de drogas. É muito mais que isso, vale assistir. Certa parte do filme, o personagem principal, Mark Renton (Ewan McGregor) descreve um método para se largar a heroína: 3 baldes, uma pra cagar, um pra mijar e um pra vomitar, sopa de tomate em lata suficiente pra te alimentar por três meses, uma TV.  Tranque a porta e jogue a chave fora. Em três meses você está livre do vício.

Hoje, vivi algumas sensações que devem se aproximar ao que o Mark deve ter sentido, nas devidas proporções. Hoje a abstinência encontrou os sentimentos adversos.

Sabe quando estamos naqueles dias pessimistas e só  pensamos de modo negativo? Quando se sentir sozinho é estar abadonado, quando ficar bravo é querer arrebentar a cara de alguém, quando perder é ser derrotado? Lógico que você sabe. Pois é, minha quinta-feira foi  dessas.

Dormi duas horas a mais graças as chuvas que foderam com a cidade de São Paulo e só precisei encontrar meu padrasto as nove, para trazê-lo para Santos. Mesmo tendo acordado as nove, ainda é muito pouco sono pra quem foi dormir as cinco, bêbado. Cheguei em Santos e dormi, almocei e dormi de novo. Acordei as cinco da tarde, fazendo jus a um característico dia de ressaca. Li alguns quadrinhos sem vontade, vi alguns filmes sem rir muito, recusei um convite de jantar num restaurante com meus pais. Voltando da carona que acabei de dar pra minha irmã pruma festinha que ela foi, o assento do passageiro vazio não me deixava parar de olhar pra ele e insistia em fazer meu peito apertar, louco pra que ele estivesse ocupado. Um carro atrás de mim começou a buzinar porque eu parei graças a minha injeção eletrônica bixada e, por pouco, por muito pouco mesmo, eu não desci do carro, na chuva pra iniciar uma discussão que eu estaria torcendo pra acabar em troca de socos.

A cada flash de pensamento negativo uma mesma palavra vem a cabeça: CIGARRO. To sozinho, queria uma mina aqui… CIGARRO. Trânsito desgraçado, não anda nada… CIGARRO.

Quando eu apresentei a abstinência aos sentimentos adversos não imaginei que eles iam partir pra cima da força de vontade juntos. A força de vontade agora vai ter que segurar firme, aguentar bastante, porque esses dois sabem bater forte.

#stopsmoking 2010 – Número três

Esse negócio de parar de fumar, dessa vez, tá sendo mais fácil. Estou até com um pouco de vergonha de vocês que estão lendo. Quando pensei em escrever essa série de posts, achei que iam rolar boas histórias, tensas, com momentos de climax intenso, mas a real mesmo é que não tá sendo tão difícil assim.

Claro que as coisas não estão na mesma. A balança me deu um aviso ontem: “Guilhermê, 2 kilos a mais hein, mano. Te liga”. Ansiedade tá bombando. Ontem o negão (@mrjorge) abriu uma caixa de amanditas. Tive até que avisar o pessoal que estava na sala: “Aê, quem quiser comer aqui, fica esperto que tá aberto. E sabe como é..”. Uma atrás da outra devorei aquelas bolinhas de biscoito e creme de gordura, atingindo um número que deve ter alcançado o dobro de amanditas em relação aos outros comedores.

Novo hábito para 2010: ter sempre chicletes comigo. Nunca fui muito fã de chiclete, nem de balas tipo halls, nem essas coisas de caixa de padaria. Mas, agora, amigo, virou necessidade. Pensei em cigarro, vi algum maço olhando pra mim, pimba, chiclete. Tô tentando acreditar no que vai escrito nas caixas que dizem “sem açúcar”. Tomara que ainda possamos confiar na indústria alimentícia, porque, se não, to fudido.

É difícil não pensar em comida nas horas que eu fumaria meus antigos vinte cigarros diários. Portanto, para os amigos e familiares que não vejo á um tempo por causa das festividades cristãs de final de ano e férias da faculdade, espero encontrá-los num peso próximo ao da última vez que nos vimos. Pelo menos mais corado eu vou estar. Como diz minha mãe, com “cara de saúde”.

#stopsmoking2010 – Número 02

Por mais piegas que possa parecer, tudo nessa vida tem mesmo seu lado bom e seu lado ruim. Quando se trata de parar de fumar, percebi que o lado ruim chega até você e o lado bom você tem que correr atrás. Mas ele existe e saber isso é fundamental.

Arrumei um jeito de descontar toda essa ansiedade que me acomete sem o tabaco: exercícios físicos. Tenho raxado de correr no parque e fazer academia todos os dias. No segundo dia sem fumar, eu e me companheiro de casa e blog @telefone fomos correr no ibirapuera umas 10hrs da manhã. Com bola de rugby na mão e garra no coração saímos na ensolarada última terça-feira. Depois de uma hora (maomêno) correndo, começamos a dar um rolê caminhando e eu vi a vida sorrir pra mim. O sol, o parque, os cachorros e suas donas, o lago, os bebês e suas mães.. Tudo era tão lindo. A vida é boa, meu amigo, e ela quer sorrir pra você. O céu azul contrastando com o verde das arvores e todos os rostos suados e felizes no parque me mostou que meus pulmões são como se fossem da minha família, próximos mesmo, trutas.

Agora, durante vários momentos do dia a parte ruim vem pra cima e você precisa estar pronto. A ansiedade e a palavra CIGARRO vem à sua mente como várias locomotivas, uma atras da outra, e te fazem arregalar os olhos, passar a mão na testa, respirar fundo e procurar alguma coisa pra matar essa vontade. E por mais insignificante e fraco que isso te faça parecer, você sabe que precisa dessa fuga, seja ela qual for. Portanto, tenha sempre um cigarro de mentira no seu alcance: balas, chicletes, chocolates, biscoitos, cigarros alternativos pros que curtem, não importa, tenha sempre algo que te faça esquecer um pouco da nicotina por perto. Nem que seja uma daquelas bolinhas de estresse de ficar apertando.

Por mais que cigarros sejam a coisa mais deliciosa do universo todo e sejam tudo que eu quero pra mim nesse instante, agora eu sei que a vida é linda sem eles, ‘saúde’ é sim um conceito a se pensar, meus pulmões são meus amigos. Por mais que custe caro, gente, a vida é bela, sim.

#stopsmoking2010 – Número 01

Ah, o ano novo. Na prática, abre o verão. É o início de um novo ciclo que nós mesmos criamos e nele depositamos esperança, alguma força de vontade e torcida pra caralho. Suas resoluções de fim de ano com certeza vão fazer sua vida melhor e você acredita nelas, acredita que vai conseguir emagrecer 10kg ou ser promovido. Por mais que pareça que uma data possa significar pouco, o dia 31 de dezembro encerra um velho e abre um novo ciclo nas nossas vidas. Ciclos que nós mesmos inventamos na nossa incapacidade de pensar no tal do longo prazo. Mas tudo bem, se assim funciona melhor, que assim seja.

"menos palavrão" - Clica que aumenta.

Minha resolução principal foi largar o tabagismo. Depois que você pára de fumar você adquire automaticamente status suficiente pra falar frases como “largar o tabagismo”. Missão complicada. Fumo desde meados de 2002 e por muitos desses anos o cigarro vinha em caixa vermelha. Em 2008 tentei parar, fiquei seis meses sem cigarros e voltei. Enquanto fumando, um maço por dia era a conta, sempre. E prometi que depois dessa merda de 2009, quando voltasse do ano novo não fumaria mais.

Belíssima viagem pra Bauru. Terra do meu amigo @gz_reis (http://42img.tumblr.com) para o tradicional #REISVEILLON. Dilicia. @deltakappa soundsystem fez os convidados grudarem na ‘pista’ e ensinaram boas coreografias de pérolas da década passada. Mais dois dias de rolê por lá e chega o fatídico dia de voltar. 4 de janeiro, o ensolarado hoje. Eu e o comparsa @mrjorge (verdadesejadita) acordamos sem maços de cigarro, sem sequer um maldito bastonete de câncer. Tabaco, nunca mais.

As quase 4 horas de viagem, parados, sentados, com vento na cara e música propícia para o cigarro e bons comentários foram foda. Quase não falamos. Agora que encontramos a internet de volta, muito menos. Mas assim vamos.

Esse é o primeiro dia sem tabaco. Por enquanto, levemente ansioso. Encerrando a transmissão. Guilherme Bacellar, 04 de janeiro de 2010, às 14:59.

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